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FARMANGUINHOS REAFIRMA SEU PAPEL ESTRATÉGICO PARA A SAÚDE PÚBLICA

Em meio à pandemia, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) reitera o seu papel estratégico para a saúde pública brasileira. Em um ano desafiador, com todos os impactos causados pela covid-19, a instituição forneceu quase 400 milhões de unidades farmacêuticas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, atuou em pesquisas com foco em diferentes doenças, desenvolveu novas formulações farmacêuticas, implementou novas plataformas de educação voltadas para os cursos de nível lato sensu e stricto sensu e firmou novas cooperações com vistas à absorção tecnológica de medicamentos essenciais para o País. 

O diretor Jorge Mendonça explica como tem sido o esforço institucional, ainda maior durante a pandemia. Ele destaca que, para manter a produção em larga escala, Farmanguinhos elaborou seu Plano de Contingência que norteia as ações institucionais nesse período, principalmente para garantir a saúde e segurança dos profissionais que vêm atuando ininterruptamente. “As medidas têm como objetivo garantir a segurança necessária aos trabalhadores, para que a instituição reafirme seu compromisso de manter as atividades produtivas essenciais para garantir o abastecimento do SUS e, consequentemente, evitar que as pessoas em maior vulnerabilidade fiquem expostas ao novo coronavírus”, ressalta o diretor.

Com todos esses cuidados, ao todo, o Instituto forneceu cerca de 398,3 milhões de unidades farmacêuticas de diferentes categorias de medicamentos. Entre os produtos estão os antirretrovirais, antivirais, antimaláricos, tuberculostáticos, antiparkinsonianos, além de outros voltados para a população assistida pelo SUS.

Pesquisa

Ao longo de sua história, Farmanguinhos fez importantes contribuições à saúde pública e ao conhecimento científico. Neste ano, não foi diferente: sete projetos de pesquisa foram contemplados no Programa Inova Fiocruz. Trata-se de programa de fomento à inovação da Fundação Oswaldo Cruz, que tem como objetivo incentivar a transferência, para a sociedade, do conhecimento gerado em todas as suas áreas de atuação. Quatro desses projetos são voltados ao enfrentamento da pandemia de covid-19.

Os trabalhos contemplam análises sobre as competências centrais e essenciais no espectro do novo coronavírus; reposicionamento e associação de fármacos contra o vírus, numa abordagem que correlaciona estudos através da simulação computacional (in silico); investigação sobre o uso dos inibidores dos polipeptídeos para desenvolver medicamentos; e a avaliação de um grupo de substâncias vegetais conhecidas como ácidos triterpênicos, a partir do alecrim (Rosmarinus officinalis). Os demais projetos são voltados para tratamento de HIV/aids, tuberculose e dor neuropática, sendo dois para desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos e outro para um produto de origem sintética.

Os grupos de pesquisa também elaboraram este ano estudos e ações para doenças negligenciadas, tais como malária, doença de Chagas, leishmaniose, tuberculose, esquistossomose e outras que afligem a população que vive em condições de maior vulnerabilidade.

Desenvolvimento tecnológico

No decorrer deste ano, várias foram as conquistas institucionais no campo do desenvolvimento tecnológico. Entre elas estão a obtenção do registro da nova formulação do antimalárico primaquina de 15mg e do antiviral oseltamivir na concentração 30 mg, ambos totalmente desenvolvidos por especialistas internos. Uma nova formulação da primaquina na concentração de 5mg encontra-se em fase final de desenvolvimento. A unidade ainda trabalha na composição de duas formulações do tuberculostático isoniazida + rifampicina, nas concentrações 75+150 mg e 150+300 mg.

Outro êxito foi a fabricação de lotes-pilotos de medicamentos frutos de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs), como o antirretroviral atazanavir e o antiparkisoniano pramipexol. Para este ano, está prevista ainda a produção dos lotes para a inclusão de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) nacional de cabergolina e tenofovir+lamivudina (genérico do Duplivir).

Cooperação internacional

Em julho, Farmanguinhos produziu lote de praziquantel pediátrico para fins de estudo clínico. Trata-se de um medicamento desenvolvido exclusivamente para crianças infectadas por esquistossomose. Essa nova formulação é fruto de uma iniciativa internacional denominada Pediatric Praziquantel Consortium, composta por parceiros de diferentes países.

Como braço estratégico do Ministério da Saúde, Farmanguinhos protagoniza uma série de parcerias a fim de garantir o abastecimento do SUS com medicamentos considerados estratégicos para o País. Um desses produtos é o genérico do antirretroviral dolutegravir sódico. O Instituto acaba de obter o registro desse importante medicamento usado no tratamento de pessoas que vivem com HIV/aids, e que é fruto de uma cooperação tecnológica entre as farmacêuticas ViiV Healthcare, GSK e a unidade da Fiocruz.

Um jeito novo de fazer educação

O Instituto produz também conhecimento científico e recursos humanos para o Brasil. A unidade conta com dois cursos de mestrado e dois de doutorado (profissionais e acadêmicos), e duas pós-graduações de nível lato sensu, em tecnologias industriais farmacêuticas e em inovação em fitomedicamentos.

Para manter as atividades dos cursos, foi preciso adaptar-se à nova realidade e explorar o ambiente virtual como um aliado nos métodos de ensino e aprendizagem. Com as tecnologias digitais, a instituição disponibilizou rapidamente plataformas virtuais de ensino. Docentes e discentes mobilizaram-se para se adaptar à nova realidade a fim de evitar prejuízo ao processo de aprendizagem.

Trabalho integrado

Farmanguinhos é um laboratório que coloca em prática o conceito de trabalho integrado, ou seja, desde a concepção de um medicamento até sua disponibilização na rede pública de saúde, de modo a atuar em todo o ciclo de vida de um produto. Processos que vão desde a pesquisa aplicada, atravessando uma série de etapas de desenvolvimento tecnológico e regulatórias, até a entrega aos pacientes. Um exemplo disso é o antimalárico primaquina, cuja proposta surgiu no mestrado profissional do Instituto, permeou as demais áreas internas e, finalmente, chegou à linha de produção. Agora, o medicamento já é registrado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está disponível para ser produzido e fornecido ao SUS.

Todos esses feitos reafirmam o potencial técnico-científico e a mão de obra altamente qualificada do Instituto, tornando Farmanguinhos essencial para a saúde pública brasileira.