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Blanver exportará remédio para HIV para cinco países (09/01/2020)

Por Ana Paula Machado — De São Paulo
09/01/2020 05h01

Sérgio Frangioni, CEO, diz que, com a internacionalização do laboratório, faturamento pode chegar a R$ 250 milhões — Foto: Silvia Costanti/Valor

Pedido de registro será feito em fevereiro junto aos órgãos competentes e para iniciar embarques

Depois de um ano desafiador no Brasil, a farmacêutica Blanver começará o projeto de exportação de medicamentos de alto custo para a América Latina e Oriente Médio em 2020. Segundo Sérgio Frangioni, CEO da empresa, a companhia, que tem em seu portfólio remédios para o vírus HIV, irá pedir o registro desses produtos em fevereiro na Argentina, Colômbia, México, Paraguai e Arábia Saudita.

“Como é um medicamento que já é comercializado no Brasil e aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) há mais tempo, devemos conseguir esses registros nesses países mais rápido.”

Segundo ele, o projeto de internacionalização da farmacêutica brasileira contempla ainda a exportação de princípios ativos (IFAs) que são produzidos em Indaiatuba, no interior de São Paulo. Para isso, a companhia irá abrir um escritório na Espanha para desenvolver os negócios na Europa.

Frangioni disse que atualmente são produzidos dois IFAs, um para o medicamento indicado para o tratamento do HIV e um para o doenças do sistema nervoso central. “Hoje, produzimos 24 toneladas mas, para consumo próprio. O projeto é eliminar alguns gargalos na fábrica e comerçarmos a fornecer para terceiros no Brasil e no exterior.”

A Blanver deve investir R$ 3 milhões nessa unidade e com isso irá aumentar a capacidade de produção de 60 toneladas por ano para 80 toneladas anuais de IFA. “Já pedimos o registro junto à Anvisa para mais dois IFAs, sendo um para doença mental. A expectativa é que seja concedido no início de 2020. Com isso, a nossa estimativa é que a nossa produção alcance 77 toneladas neste ano”, ressaltou Frangioni.

O executivo afirmou ainda que a meta é alcançar um faturamento de R$ 250 milhões em 2020, sendo que 10% desse valor virá do negócio de princípio ativo. “Essa receita é bem menor do que estimávamos para 2018 e 2019. Tivemos que adequar a nossa operação em função de uma decisão judicial que nos impediu de comercializar junto ao Ministério da Saúde um medicamento para a Hepatite C.”

Em 2018, a Blanver ganhou uma licitação para vender ao Sistema Único de Saúde (SUS) o medicamento genérico do Sofosbuvir. Mas, a farmacêutica americana Gilead, detentora da patente, conseguiu barrar esse contrato. “Não chegamos a fornecer nada para o SUS desse remédio. Fomos proibidos de vender. Tivemos que readequar a nossa produção e nosso quadro de funcionários. Demitimos umas 100 pessoas. Por isso, 2019 foi um ano desafiador.”

O processo ainda está correndo na Justiça brasileira e segundo Frangioni, teve um parecer favorável da Defensoria Pública Federal para a venda do genérico. Com isso, o órgão, junto com oito organizações sociais, denunciou a Gilead ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por abuso econômico. O remédio é vendido pelo laboratório norte-americano aos órgãos públicos por R$ 986,57, mas seu preço poderia cair para R$ 34 caso fosse genérico.

“A economia para o governo é enorme com esse medicamento. Ainda estamos esperando isso se resolver. Mas, enquanto não ocorre, estamos tentando registro desse medicamento também em outros países.” Procurada, a Gilead informou que não poderia comentar ações judiciais que estão em andamento.

Fonte: Valor
09/01/2020

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