Governo brasileiro aposta mais em Doha do que em acordo com os EUA
O governo brasileiro está mais interessado ainda na Rodada Doha, apesar de suas dificuldades, do que num acordo de comércio com os Estados Unidos, disse ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Não vamos nos fechar a outras negociações, mas insistimos em Doha, porque achamos que é do dever de quem se preocupa com a ordem internacional, com o comércio internacional sujeito a regras, com abertura comercial mais justa."
Para o ministro, o Brasil continua achando que a Rodada Doha, na Organização Mundial de Comércio (OMC), seria uma "base muito importante para uma negociação bilateral (depois)".
O ministro insiste em apostar na Rodada Doha quando os sinais são pessimistas, como ele mesmo admitiu. Segundo o ministro, articuladores começaram a planejar uma reunião ministerial para dezembro, para tentar fechar o acordo agrícola e industrial depois da eleição nos EUA e da eleição no Estado indiano do ministro de Comércio, Kamal Nath.
Só que, nos últimos dias, o ambiente piorou em Genebra. Uma reunião de vários embaixadores, ontem, mostrou pouco apoio à idéia de reunião ministerial. Teve embaixador falando de "suicídio", porque simplesmente não existiria tempo para um entendimento até dezembro sobre corte de tarifas e de subsídios agrícolas e industriais. "O que sei é que, pelas conversas do presidente Lula com outros chefes de Estado, há um sentimento geral de que uma conclusão positiva de Doha ajudaria a melhorar a situação criada com a crise financeira", afirmou.
Apesar da atmosfera mais pessimista em Genebra, sem saber ainda a razão precisa, Amorim disse que muito pode depender do impulso que os chefes de Estado e de governo podem dar na reunião de cúpula do dia 15, em Washington.
Fonte: Valor Econômico
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