Fizemos a primeira PPP dos remédios
Em entrevista a revista Exame, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fala sobre a produção nacional do Efavirenz e o que essa conquista representa para a indústria nacional. Veja:
O que há de tão especial no modelo de negócios para o desenvolvimento do Efavirenz?
Ele é a primeira parceria público-privada do setor farmacêutico brasileiro. Ao lado da estatal Farmanguinhos, participaram do desenvolvimento da droga três empresas privadas. Essas PPPs vão revitalizar o setor farmacêutico.
Essa previsão não é exagerada?
Não. Cada vez mais o governo irá estimular a produção de novos medicamentos. Essa droga anti-Aids mostra que a indústria brasileira tem capacidade de fabricar princípios ativos com qualidade de mercado.
Quando, de fato, o governo começará a produzir o Efavirenz?
Agora dependemos da avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, mas creio que em janeiro de 2009 já teremos os primeiros lotes do remédio.
Para o medicamento estar pronto no início de 2009, a Anvisa terá de dar seu parecer ainda neste ano. Isso é possível, considerando que a agência é famosa por sua lentidão?
Sim. A Anvisa está trabalhando de uma maneira muito afinada com o Ministério da Saúde. Temos um fast track para a apreciação de pedidos de interesse do ministério.
Isso não vai causar um mal-estar entre as empresas, que podem entender que serão preteridas em relação aos laboratórios públicos?
Não, pois mais de 90% dos produtos de interesse de saúde pública são produzidos por empresas privadas. Elas também se beneficiam do fast track.
O atraso no desenvolvimento do Efavirenz colocou em xeque a eficiência dos laboratórios públicos brasileiros, que somam 19. Eles deveriam existir?
Por vários fatores históricos, o Brasil criou essa rede de laboratórios. Estamos trabalhando com o BNDES para apoiar os que estão engajados em modernizar sua gestão. Os que não têm capacidade de produção, não acompanham o desenvolvimento tecnológico e não têm custos compatíveis com o mercado não deveriam existir.
O senhor tem falado em reduzir a dependência do país no setor de saúde. O que isso tem a ver com substituição de importações?
A diferença entre o que o Brasil importa e exporta nessa área é negativa, ao redor de 6 bilhões de dólares por ano. O que me preocupa não é o valor financeiro, mas a desigualdade tecnológica que essa balança negativa expressa. Queremos estimular o setor privado a produzir aqui o que mais compramos no exterior.
Fonte: Exame
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