Grupos multinacionais ampliam domínio na área de transgênicos
A liberação comercial de sementes de milho geneticamente modificadas no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) elevou a fatia dessas cultivares transgênicas e causou uma concentração do setor nas mãos de grandes companhias multinacionais.
Desde o fim da batalha judicial que impedia a venda dessas cultivares no país, em meados do ano passado, 146 das 261 novas cultivares (56%) registradas pelo Ministério da Agricultura são transgênicas, aponta levantamento da ONG ambientalista Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA).
O estudo indica um processo de concentração e "transnacionalização". A assessoria mostra que 181 das 310 cultivares de milho (58%) indicadas pelo Ministério da Agricultura no zoneamento agrícola da safra 2007/2008 eram propriedade de apenas cinco empresas multinacionais - Monsanto, Bayer, Pioneer, Syngenta e Dow.
As indústrias admitem a tendência em cultivares originárias de cruzamentos de espécies diferentes, os chamados híbridos. "As sementes de híbridos estão na mão das multinacionais", diz o presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto. "Todas as empresas que se destacam na área, acabam sendo compradas porque as multinacionais querem este domínio".
Ele explica que no caso da soja é diferente. "Se fechar muito o mercado, começa a ter muita semente pirata. E isso não é bom para eles", afirma.
O levantamento da AS-PTA mostra que as cultivares de milho desenvolvidas com genética da Embrapa e comercializadas por empresas brasileiras agrupadas União de Produtores de Sementes de Milho de Pesquisa Nacional (Unimilho) têm uma fatia de mercado próxima de 5%.
Na primeira reunião da CTNBio em 2009, o colegiado aprovou dez pedidos de liberação de pesquisas com transgênicos e autorizou a realização, em 18 de março, de uma audiência pública para avaliar o pedido de liberação comercial do arroz transgênico tolerante a glufosinato de amônio no Brasil.
Fonte: Agrolink
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