ENCONTRO EMPRESARIAL
A ABIFINA, em parceria com a FIRJAN e contando com o apoio de outras entidades empresariais, realizou no dia 17 de novembro novo encontro empresarial que reuniu representantes do governo e da iniciativa privada para analisar o desempenho do setor no ano de 2008 e examinar perspectivas para 2009.
Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, iniciou sua participação fazendo uma análise do mercado farmacêutico. Segundo ele, o panorama que temos hoje mostra um setor público extremamente dinâmico, se fortalecendo em relação aos seus papéis tradicionais que são os papéis de fabricação de medicamentos de relevante interesse público, especialmente naqueles casos nos quais o setor privado não tem condições para abastecimento nas condições demandas pela sociedade atendida pelo SUS, bem como na perspectiva de regulação de mercado. O setor privado farmacêutico nacional passou a dar mostras de querer tomar a liderança do mercado farmacêutico brasileiro não só no plano de genéricos mas também em termos de inovação tecnológica.
Ao analisar a atuação do governo, Reinaldo fez um balanço extremamente positivo, seja do ponto de vista de fomento, seja do ponto de vista de regulação. Ele destaca que a vinda de Luciano Coutinho para o BNDES fez com que o banco retornasse uma trajetória voltada para a questão da inovação como há muitos anos não se via. "Uma das coisas mais interessantes que temos testemunhado em 2007/2008 é a relação extremamente estreita entre o Ministério da Saúde, através da Secretaria que eu dirijo e o BNDES principalmente", afirma o secretário.
Reinaldo também abordou diversos aspectos do Complexo Industrial da Saúde, listando como seus principais desafios diminuir a vulnerabilidade do SUS, elevar os investimentos em inovação, aumentar as exportações, atrair produção e centros de P&D de empresas estrangeiras, intensificar a cadeia da produção e fortalecer as empresas nacionais e fortalecer a rede de laboratórios públicos.
O encontro abordou, com especial destaque, também a questão das patentes na área farmoquímica e farmacêutica, tendo como expositor convidado o Desembargador do TRF-RJ 2º Região, André Fontes. Ele alertou a todos que nenhum dos esforços debatidos no evento será relevante se a atual Política de Propriedade Industrial não for assegurada como matéria do interesse social e econômico do Brasil. De acordo com o Desembargador, enquanto nos países de primeiro mundo as ações nessa área são organizados e expressam o interesse econômico e social da nação, no Brasil o processo tem sido muito burocrático, cartorial e ineficiente.
Para tratar do setor agrícola o encontro recebeu o diretor do Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wilson Vaz Araújo, que lembrou a importância do agronegócio para o país, já que em 2007 ele correspondeu a 25,1% do PIB, 36,4% da exportações e 37% dos empregos gerados.
Diante da crise financeira internacional, o diretor destacou algumas medidas que o governos adotou para melhorar os níveis de liquidez no agronegócio entre elas a antecipação de R$5 bilhões dos recursos, aumento temporários das exigibilidades bancárias destinas ao incentivo do setor, prorrogação do prazo de adesão dos mutuários ao processo de renegociação de dívidas e criação de uma linha de crédito especial pelo Banco do Brasil de R$ 1 bilhão para financiamento de CPR.
Como desafio, Wilson destacou o desenvolvimento e uso de tecnologia, a carência da produção local de fertilizantes, melhorias na infra-estrutura, melhoria do status sanitário, mecanismos de proteção à variação de preços e, logicamente, o cenário econômico mundial.
Veja aqui as apresentações em PPF e imagens do evento.
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