INSULINA UCRANIANA
Farmanguinhos afirma que a suspensão da importação da insulina da Ucrânia, determinada ontem pela Anvisa, "diferentemente do que pode dar a entender tal medida", não significa existência de risco sanitário para o seu uso.
Em nota divulgada no Rio, o instituto denunciou às autoridades do Ministério da Saúde "as fortes pressões de concorrentes que já atuam há muitos anos contra a economia do Brasil com práticas monopolistas, que vêm utilizando pessoas desavisadas" para questionar a qualidade da insulina ucraniana.
Segundo Farmanguinhos, a ""verdadeira razão"" para a medida tomada pela Anvisa é que o instituto Indar pediu nova inspeção à sua planta de produção em Kiev, o que incluiria uma visita a um novo laboratório de fermentação da fábrica construído fora daquela cidade.
A diretoria alega que a equipe da Anvisa que esteve na Ucrânia, em junho, não teve tempo de visitar o tal laboratório adicional e concluiu que uma etapa da produção estaria acontecendo em laboratório não-certificado pelo governo brasileiro.
Segundo a diretoria do Farmanguinhos, os diabéticos que estão fazendo uso do produto ucraniano podem continuar a fazê-lo porque sua qualidade foi atestada no centro de testes farmacêuticos da Universidade Federal de Santa Maria (RS).
O diretor do Farmanguinhos, Eduardo Costa, principal responsável pelo acordo firmado entre o Brasil e a Ucrânia, vem reagindo às críticas do meio médico à qualidade da insulina ucraniana há algum tempo.
Em uma entrevista ao site da Fiocruz, ele disse que o mercado mundial de insulina é oligopolizado e que apenas três empresas detêm cerca de 60% das vendas mundiais. Ele acusou as multinacionais de terem ""levado à destruição" a empresa brasileira Biobrás, que produzia insulina em Minas Gerais e foi adquirida pela Novo Nordisk, em 2000.
Segundo Eduardo Costa, depois do acordo com o instituto Indar, o preço da insulina nas licitações do Ministério da Saúde caiu 50%, com economia anual de cerca de R$ 80 milhões para o governo.
Ele afirmou que a estimativa é que em quatro anos a economia para o país chegará a mais de R$ 300 milhões e, em 15 anos, a cerca de R$ 1,2 bilhão.
"A insulina é estratégica para o país e vital para cerca de 600 mil brasileiros insulinodependentes", disse Costa.
Fonte: Folha de S. Paulo
Veja aqui nota de esclarecimento publicada pela Anvisa após o posicionamento de Farmanguinhos sobre essa questão.
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